O Bureau of Labor Statistics (BLS) dos Estados Unidos elaborou um mapa que classifica 831 profissões segundo o grau de exposição à inteligência artificial, cruzando esta análise com as projeções de emprego para 2025–2035. Os dados mostram que uma em cada quatro profissões apresenta exposição "muito alta" à IA, o que corresponde a 206 ocupações. O El País analisou os mesmos dados e conclui que a IA ameaça mais os escritórios do que as oficinas, embora o BLS sublinhe que a exposição não equivale a uma previsão de perda de emprego.
As profissões menos expostas à IA são, em grande medida, aquelas que exigem trabalho físico, competências manuais e presença no terreno. Entre as 60 profissões de construção e extração analisadas, 53 têm exposição baixa e nenhuma apresenta exposição muito alta. Carpinteiros, pedreiros, vidreiros, marceneiros, tapeceiros, floristas, trabalhadores de manutenção de jardins e reparadores de instrumentos musicais figuram entre as ocupações com menor exposição. A lógica prende-se com o facto de as tarefas que exigem manipulação de materiais, coordenação motora e adaptação ao ambiente serem mais difíceis de reproduzir pelas capacidades atuais da IA.
No outro extremo, as profissões de exposição muito alta estão associadas a tarefas de processamento de informação, linguagem e tratamento de dados. Os processadores de texto e dactilógrafos lideram as maiores quedas previstas, com uma redução de 34,4% no emprego, seguidos de operadores de centrais telefónicas (menos 26%) e operadores de entrada de dados (menos 25,5%). Contudo, o BLS alerta que exposição muito alta não significa necessariamente declínio. Programadores de software, analistas de gestão e gestores de sistemas informáticos apresentam exposição muito alta mas deverão crescer 10,2%, 10,1% e 15,8%, respetivamente, porque a procura por estes serviços aumenta.
A classificação do BLS divide as 831 profissões em quatro níveis de exposição: baixa (213), moderada (206), alta (206) e muito alta (206). A agência combinou cinco fontes externas, incluindo estudos académicos e dados de utilização observada de ferramentas de IA. No conjunto da economia norte-americana, prevê-se a criação de 5,9 milhões de empregos entre 2025 e 2035, com o emprego total a passar de 170,3 para 176,2 milhões. A saúde e a assistência social estarão entre os principais motores desse crescimento.




