As exportações da indústria alimentar e das bebidas portuguesa cresceram 4,16% entre janeiro e julho de 2026, face ao período homólogo do ano anterior, contrariando o sentimento de incerteza a nível global. Os mercados extracomunitários continuam a ser o principal destino, concentrando exportações no valor de 1,51 mil milhões de euros. Entre os mercados que registaram maior crescimento, destacam-se o Brasil, com uma subida de 25,45%, e Angola, com 22,12%. Em sentido contrário, as exportações para os Estados Unidos recuaram 12,50%.
Este crescimento forte ocorreu num período marcado pela assinatura do acordo UE-Mercosul, que permite uma redução das taxas alfandegárias para o comércio entre a União Europeia e a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O acordo prevê que o Mercosul elimine progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações da UE, incluindo os 27% sobre vinhos e os 35% sobre bebidas espirituosas. A União Europeia, por sua vez, vai pôr fim às tarifas sobre 91% das exportações do Mercosul.
As vendas do setor na União Europeia também registaram uma evolução positiva, crescendo 2,56% para 3.175 milhões de euros. Países Baixos, Itália e Polónia destacaram-se entre os mercados com maior dinamismo, enquanto as exportações para a Bélgica diminuíram 4,27%.
A presidente da FIPA, Jorge Tomás Henriques, alertou que o crescimento das exportações não pode ser dado como adquirido. A federação considera essencial reforçar os instrumentos de apoio à internacionalização, promover a competitividade das empresas e assegurar um enquadramento regulatório favorável ao investimento e à criação de valor.




