Um ataque com drone ao pipeline saudita 'East-West', alegadamente lançado a partir do Iraque, ameaça retirar entre 230 e 360 milhões de barris do mercado global, caso fique fora de operação durante três meses. O oleoduto de 1.200 quilómetros, com capacidade para transportar sete milhões de barris por dia, vai estar encerrado durante três a cinco semanas para reparações. Esta nova frente de ataque soma-se ao Irão e aos Houthis do Iémen na escalada de tensão contra a Arábia Saudita.
A consultoria energética Rystad alertou que este volume não pode ser substituído apenas por realocação de petróleo de outras origens. O petróleo atingiu quase 109 dólares durante a negociação de segunda-feira, com o barril de Brent a subir mais de 16% este mês face a agosto e acima de 56% face ao ano anterior. Se a paragem atingir dois meses, entre 156 a 240 milhões de barris exportados através do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, ficarão fora do mercado.
A Ásia recorreria a mais petróleo norte-americano, canadiano, brasileiro e de África ocidental, enquanto as refinarias europeias competiriam mais agressivamente por crude do Mar do Norte, Azerbaijão, Líbia e outros produtores mediterrânicos. Janiv Shah da Rystad afirmou que sem maior clareza sobre a origem dos barris de substituição, os preços deverão subir no curto prazo. A consultora estimou ainda que existem 24 milhões de barris em stock no porto de Yanbu, equivalentes a uma semana de exportações.
Esta subida do petróleo surge num contexto de pressão inflacionista crescente, aumento das taxas de juros na Zona Euro e provavelmente nos EUA, e 'yields' das obrigações soberanas no nível mais elevado desde a crise financeira de 2008. O Banco Central Europeu aumentou a taxa de juro de referência na semana passada e os analistas esperam que a Reserva Federal norte-americana faça o mesmo esta semana.




