Os chefes de governo da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte reuniram-se em 14 de setembro de 2026 em Cardiff para assinarem um memorando de entendimento histórico exigindo a realização de referendos regionais sobre a independência face ao Reino Unido. Esta reunião, denominada informalmente "Aliança Celta", reuniu John Swinney (primeiro-ministro da Escócia pelo SNP), Rhun ap Iorwerth (primeiro-ministro do País de Gales pelo Plaid Cymru) e Michelle O'Neill (primeira-ministra da Irlanda do Norte pelo Sinn Féin). É a primeira vez na história moderna que as três nações tentam fazer isto em conjunto, representando um ataque inéditas à estrutura política do Reino Unido cuja configuração atual data de 1922. Os líderes reuniram-se como dirigentes partidários e não como primeiros-ministros das suas nações para evitar um confronto institucional com Londres.
A iniciativa é uma consequência direta do Brexit: cerca de 62% dos escoceses e quase 56% dos norte-irlandeses votaram a favor de permanecer na União Europeia, enquanto nos Gales o sim à saída venceu com 52%. Scotland já tinha realizado um referendo sobre independência em 2014, onde o "não" venceu com 55,3%, e a então primeira-ministra Nicola Sturgeon declarou que um novo referendo era "altamente provável" após o Brexit, mas não aconteceu devido a limitações legais. De acordo com a Lei da Escócia de 1998, o Parlamento escocês não tem competências para convocar um referendo sem autorização do governo do Reino Unido, e o mesmo aplica-se aos parlamentos do País de Gales e da Irlanda do Norte. A "Aliança Celta" colocou desde logo a possibilidade de solicitarem a adesão à União Europeia como um pedido comum, o que seria considerado um regresso à UE.
Os líderes emitiram uma declaração conjunta afirmando que "as nações têm direito à autodeterminação" e que "o futuro das nossas nações está na União Europeia", considerando que o Brexit "prejudicou" os seus territórios. O primeiro-ministro Andy Burnham, através do seu porta-voz, rejeitou as exigências, afirmando que "acredita firmemente na união do Reino Unido" e que continuará a "aliviar as pressões sobre as finanças das famílias" em vez de se envolver em "debates constitucionais". O rei Carlos III não emitiu qualquer declaração pública sobre o assunto, mantendo-se neutro em assuntos de política partidária.
O presidente norte-americano Donald Trump também comentou a situação durante uma visita a Dublin no sábado, afirmando que "adoraria" ver uma Irlanda unida e que "isso vai acontecer eventualmente". Michelle O'Neill considerou que as declarações de Trump demonstram que "o debate sobre a reunificação está muito vivo" e que agora interessa "a uma escala internacional". O ano de 1707 marca o nascimento do moderno Estado conjunto com a união da Inglaterra e Escócia, em 1801 juntou-se a Irlanda, e em 1922, após a guerra da independência irlandesa, a maior parte da ilha separou-se de Londres, restando os seis condados do norte que permanecem no Reino Unido até hoje.




