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Independência: País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte testam paciência de LondresFoto de 3005398 no Pexels
Política
Economia

Independência: País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte testam paciência de Londres

Jornal Económico15 de setembro de 2026 às 07:00

Os chefes de governo da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte reuniram-se em 14 de setembro de 2026 em Cardiff para assinarem um memorando de entendimento histórico exigindo a realização de referendos regionais sobre a independência face ao Reino Unido. Esta reunião, denominada informalmente "Aliança Celta", reuniu John Swinney (primeiro-ministro da Escócia pelo SNP), Rhun ap Iorwerth (primeiro-ministro do País de Gales pelo Plaid Cymru) e Michelle O'Neill (primeira-ministra da Irlanda do Norte pelo Sinn Féin). É a primeira vez na história moderna que as três nações tentam fazer isto em conjunto, representando um ataque inéditas à estrutura política do Reino Unido cuja configuração atual data de 1922. Os líderes reuniram-se como dirigentes partidários e não como primeiros-ministros das suas nações para evitar um confronto institucional com Londres.

A iniciativa é uma consequência direta do Brexit: cerca de 62% dos escoceses e quase 56% dos norte-irlandeses votaram a favor de permanecer na União Europeia, enquanto nos Gales o sim à saída venceu com 52%. Scotland já tinha realizado um referendo sobre independência em 2014, onde o "não" venceu com 55,3%, e a então primeira-ministra Nicola Sturgeon declarou que um novo referendo era "altamente provável" após o Brexit, mas não aconteceu devido a limitações legais. De acordo com a Lei da Escócia de 1998, o Parlamento escocês não tem competências para convocar um referendo sem autorização do governo do Reino Unido, e o mesmo aplica-se aos parlamentos do País de Gales e da Irlanda do Norte. A "Aliança Celta" colocou desde logo a possibilidade de solicitarem a adesão à União Europeia como um pedido comum, o que seria considerado um regresso à UE.

Os líderes emitiram uma declaração conjunta afirmando que "as nações têm direito à autodeterminação" e que "o futuro das nossas nações está na União Europeia", considerando que o Brexit "prejudicou" os seus territórios. O primeiro-ministro Andy Burnham, através do seu porta-voz, rejeitou as exigências, afirmando que "acredita firmemente na união do Reino Unido" e que continuará a "aliviar as pressões sobre as finanças das famílias" em vez de se envolver em "debates constitucionais". O rei Carlos III não emitiu qualquer declaração pública sobre o assunto, mantendo-se neutro em assuntos de política partidária.

O presidente norte-americano Donald Trump também comentou a situação durante uma visita a Dublin no sábado, afirmando que "adoraria" ver uma Irlanda unida e que "isso vai acontecer eventualmente". Michelle O'Neill considerou que as declarações de Trump demonstram que "o debate sobre a reunificação está muito vivo" e que agora interessa "a uma escala internacional". O ano de 1707 marca o nascimento do moderno Estado conjunto com a união da Inglaterra e Escócia, em 1801 juntou-se a Irlanda, e em 1922, após a guerra da independência irlandesa, a maior parte da ilha separou-se de Londres, restando os seis condados do norte que permanecem no Reino Unido até hoje.

Porque é que isto importa

A "Aliança Celta" representa a primeira vez que as três nações celtas coordenam uma exigência conjunta de autodeterminação, colocando uma pressão política sem precedentes sobre Londres. Os leitores da região podem sentir os efeitos indiretos desta dinâmica nas relações entre o Reino Unido e a União Europeia, bem como num eventual impacto nos mercados e na estabilidade política das ilhas britânicas, caso a pressão independentista se intensifique. Este desenvolvimento surge ainda na sequência do Brexit, tema que continua a dividir a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte do resto do Reino Unido.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Jornal Económico a 15 de setembro de 2026 às 07:00; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Política. Nesta secção temos atualmente 30058 artigos.

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