O Governoadiou por algumas semanas o leilão para atribuição de 1.050 megavolt-ampere de capacidade de ligação à rede elétrica para projetos com armazenamento, cujo lançamento estava previsto para hoje. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, justificou o adiamento com a necessidade de analisar os 62 contributos recebidos durante a consulta pública, apontando um prazo de três a quatro semanas para a conclusão do processo.
O concurso abrange dois procedimentos distintos: um para 750 MVA destinados a instalações de armazenamento autónomo e outro para 300 MVA de capacidade destinada a centros eletroprodutores renováveis associados a armazenamento. Os procedimentos tinham sido apresentados pelo Governo no final de junho e estavam em consulta pública.
Durante uma visita a Abrantes, no distrito de Santarém, Maria da Graça Carvalho anunciou também que parte da capacidade disponível no Pego será atribuída à Zona Livre Tecnológica, criada no âmbito da transição justa após o encerramento da central termoelétrica a carvão em 2021. A Endesa venceu em 2022 o concurso de transição justa e prevê iniciar em 2027 a construção de um projeto híbrido renovável com cerca de 600 megawatts de capacidade, combinando energia eólica, solar e armazenamento, num investimento estimado em 600 milhões de euros.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considerou que a capacidade remanescente tem um potencial significativo de atração de investimentos. A ministra alertou para a necessidade de acelerar os novos projetos para aproveitar o conhecimento técnico e industrial acumulado na região antes que os antigos trabalhadores da central se reformem, classificando esse saber-fazer como um recurso escasso e valioso para a reconversão económica do território.




