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Empresas aceleram transformação, mas apenas 14% se destacam e obtêm resultados de grande escalaFoto de MagicDesk no Pexels
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Empresas aceleram transformação, mas apenas 14% se destacam e obtêm resultados de grande escala

Jornal Económico14 de setembro de 2026 às 22:05

As empresas estão a acelerar os seus processos de transformação empresarial, mas a multiplicação de projetos não garante um impacto proporcional no desempenho. Segundo o estudo global da KPMG "Transforming the Enterprise", que ouviu 1.750 CEO e responsáveis de transformação em 20 geografias, apenas 14% das organizações se consideram líderes face aos seus pares e menos de um terço consegue obter resultados relevantes à escala de toda a empresa. Cada organização gere, em média, 3,5 programas de transformação em simultâneo, sendo que 72% desenvolvem três ou mais iniciativas em paralelo. A transformação digital lidera as prioridades ao estar presente em 70% das empresas, seguida pela transformação funcional, em 47%, e pela gestão do risco, em 32%.

O principal desafio das empresas deixou de ser o lançamento de novas iniciativas para passar a ser a sua coordenação e o estabelecimento de prioridades comuns. João Sousa Leal, head of Advisory da KPMG Portugal, sublinha que as organizações não têm falta de iniciativas, sendo agora necessário articulá-las e convertê-las em resultados concretos. O responsável alerta que a fragmentação pode gerar ineficiências, custos adicionais e atrasos, e que a inteligência artificial aumenta essa exigência, pois só gera valor real quando apoiada em dados de qualidade, competências e execução coordenada.

Quanto à inteligência artificial, embora esteja a ser adotada em áreas como análise de dados, automatização e apoio à tomada de decisão, os seus benefícios continuam circunscritos a melhorias operacionais locais. Quarenta e oito por cento das organizações registam ganhos incrementais de produtividade, mas apenas 11% reportam um impacto substancial à escala de toda a empresa. A utilização varia significativamente entre departamentos, liderando a área de Tecnologia e Sistemas de Informação com 59%, enquanto apenas 19% das organizações consideram os seus colaboradores altamente preparados para trabalhar com IA.

A gestão do risco e o governance da IA continuam a ser pontos fracos na maioria das organizações. Apenas 24% integram proativamente os riscos da tecnologia na sua estratégia e ao longo de todo o seu ciclo de vida. Apesar de 57% das empresas já encararem a confiança como vantagem competitiva, apenas 28% conseguem associar diretamente os mecanismos de confiança e gestão de risco da IA a resultados financeiros ou operacionais concretos. A KPMG sugere três prioridades estratégicas: reforçar as bases de tecnologia, dados e governance; redesenhar os modelos operativos para integrar pessoas e IA; e repensar a empresa como um sistema interligado e em permanente evolução.

Porque é que isto importa

As empresas portuguesas enfrentam os mesmos desafios de fragmentação de esforços de transformação identificados globalmente, o que implica que devem repensar a forma como coordenam projetos e investem em competências para extrair valor real da inteligência artificial. O alerta da KPMG Portugal sobre a necessidade de articular iniciativas e convertê-las em resultados concretos é diretamente relevante para CEOs e responsáveis de transformação que gerem múltiplos programas em paralelo.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Jornal Económico a 14 de setembro de 2026 às 22:05; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Negócios. Nesta secção temos atualmente 22834 artigos.

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