A JS de Guimarães criticou a receção do embaixador de Israel pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, que decorreu nos Paços do Concelho no âmbito de um conjunto mais alargado de audiências a cerca de 13 embaixadores de diferentes países, durante a sessão de investidura da Academia da Diplomacia no Paço dos Duques de Bragança. Segundo nota do município, o encontro abordou áreas como inovação, tecnologia, proteção civil, qualificação de recursos humanos e atração de investimento.
Os jovens socialistas consideram que, face ao "genocídio em curso na Faixa de Gaza", à "destruição de um território", à "morte e deslocação de milhares de civis" e às "gravíssimas violações do Direito Internacional Humanitário", os representantes institucionais do município "têm uma responsabilidade acrescida na forma como conduzem e comunicam encontros desta natureza". A JS questiona a "normalização de relações de cooperação" sem qualquer referência ao sofrimento do povo palestiniano e apela que nenhuma oportunidade económica ou de investimento seja colocada "acima da vida humana e dos direitos humanos".
A posição da JS junta-se à do Bloco de Esquerda de Guimarães, que também manifestou oposição à receção do embaixador israelita, argumentando que a aproximação institucional não deve ser tratada como uma "relação normal" no atual contexto. O BE exigiu ainda que Ricardo Araújo esclareça os objetivos do encontro e a posição da autarquia quanto às alegadas violações do direito internacional.
Confrontado com as críticas, Ricardo Araújo garantiu que continuará a receber "todos os embaixadores" acreditados em Portugal, incluindo o de Israel, defendendo que o único critério seguido pelo município é o reconhecimento diplomático oficial por parte do Estado português. O autarca enquadrou estes encontros nas responsabilidades institucionais do cargo e na estratégia de projeção internacional do município.



