Emílio Silva, de 56 anos, bombeiro voluntário e carteiro em Ponte de Lima, foi um dos impulsionadores, há cerca de 15 anos, da tradição de serem os Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima a carregar o andor de Nossa Senhora das Dores na procissão das Feiras Novas. Dos elementos que iniciaram esta tradição, restam apenas três: ele, Armindo Lima e Zé Vieira. A proposta foi feita ao então pároco José Gomes de Sousa, que aceitou de bom grado, e desde então seis bombeiros asseguram habitualmente todo o percurso.
A ligação de Emílio Silva às Feiras Novas começou na infância, quando vinha a pé de Arcozelo com os pais para assistir à procissão. Anos mais tarde, integrou a corporação limiana aos 16 anos, primeiro na fanfarra, e foi entre os bombeiros que nasceu a ideia de assumir o transporte do andor.
Carregar o andor é, para Emílio, muito mais do que um esforço físico. "Além disso tudo, há a emoção e a adrenalina que nos abstrai do esforço e da dor que a gente possa ter", afirmou, garantindo que, apesar dos ombros doridos no dia seguinte, parece que não se percebe a distância do percurso. O bombeiro espera agora que os mais novos mantenham a tradição.
A presença dos bombeiros nas Feiras Novas não se resume à procissão. Durante a romaria, o corpo ativo reforça o dispositivo de socorro, com equipas no quartel e no recinto. Emílio participa também no trabalho de prevenção, conciliando as funções na corporação com a profissão de carteiro nos CTT.




