Salette Silva, uma mulher de 62 anos e desempregada, deixou de receber em janeiro o apoio extraordinário à renda de 200 euros mensais que lhe tinha sido atribuído. Nove meses depois, continua à espera da regularização do pagamento, o que a obrigou a depender financeiramente da mãe para pagar a renda e do filho para custear a eletricidade. "É muito triste", afirmou à revista Sábado, acrescentando que também recorre à família para despesas alimentares. Salette trabalhava como ama até perder o emprego e, quando deixou de conseguir suportar sozinha o custo de uma habitação, mudou-se para casa da mãe. Em 2023 encontrou uma casa própria e recebeu uma carta a informar que reunia as condições para o apoio.
O apoio extraordinário à renda foi criado em 2023 e destina-se a vigorar até 31 de dezembro de 2028. A prestação é automática para quem reúne os requisitos e pode atingir os 200 euros mensais quando a taxa de esforço com a renda é igual ou superior a 35%. Salette começou a receber o pagamento em outubro de 2024, descrevendo-o como "um milagre", e continuou a recebê-lo durante todo o ano de 2025, até janeiro, quando o valor deixou de entrar na sua conta. Em abril, acompanhada por uma assistente social, deslocou-se a um gabinete do IHRU, onde lhe disseram que o processo estava regular e que a situação seria tratada, mas desde então o dinheiro não voltou a ser pago.
A revista Sábado refere que milhares de cidadãos estão a reclamar atrasos no pagamento desta prestação. O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, garantiu em outubro de 2025 que os apoios em falta seriam pagos nesse mês com retroativos, mas tal não aconteceu. Em novembro, foi noticiado que os apoios de 43 mil pessoas estavam suspensos devido a incongruências nos dados. A Sábado questionou o IHRU a 12 de agosto sobre o número de queixas recebidas e a data prevista para a regularização dos valores, mas não obteve resposta.
A Provedoria de Justiça alertou para o impacto das falhas e apelou à tutela para rever o funcionamento do apoio extraordinário à renda. Entre maio e julho de 2025, recebeu mais de 1.000 comunicações relacionadas com este tema. Em comunicado, a Provedoria afirmou que "em diversas situações, os cidadãos alegam que a sua situação social e económica acabou por piorar devido a falhas do Estado". Em fevereiro, o Governo reconheceu a pressão sobre as respostas do IHRU e indicou que estava a reestruturar o apoio, mas em setembro as queixas continuavam a acumular-se.




