A Jerónimo Martins vai contestar junto dos tribunais a decisão do regulador polaco de defesa da concorrência, o UOKIK, que aplicou uma coima de 525 milhões de zlotys (121 milhões de euros) à Jerónimo Martins Polska, dona da cadeia de supermercados Biedronka. O grupo português afirma estar convicto de que não se envolveu em qualquer prática ilegal e manifesta preocupação com o facto de ter sido informado da decisão através da comunicação social, sem ter sido previamente notificado.
O UOKIK aplicou ainda multas superiores a 570 milhões de zlotys (131,7 milhões de euros) a 29 empresas de transporte e a oito indivíduos, num total de coimas que envolveu a dona da Biedronka. Segundo o regulador, as empresas de transporte que serviam os centros de distribuição da Biedronka concordaram em não competir por funcionários, num acordo que terá sido coordenado pela Jerónimo Martins Polska.
De acordo com a entidade reguladora, o conluio entre a Jerónimo Martins Polska e as suas empresas de transporte parceiras durou de junho de 2017 até pelo menos fevereiro de 2024, data em que decorreu a investigação. Como consequência, os motoristas tinham pouca liberdade para mudar de emprego, sendo que o fator determinante não era a competência, mas sim para quem tinham trabalhado anteriormente.
O presidente do UOKIK, Tomasz Chróstny, afirmou que os trabalhadores têm direito a procurar melhores salários e condições de trabalho, e que a conivência que nega esse direito viola os princípios fundamentais da concorrência leal. A Jerónimo Martins salientou que as suas políticas internas e o Código de Conduta proíbem expressamente qualquer comportamento que possa resultar na restrição da concorrência.




