Vivemos numa sociedade cada vez mais tecnológica, onde muitas tarefas do dia a dia dependem da utilização da Internet, como marcar consultas médicas, realizar operações bancárias, comunicar com familiares e aceder a serviços públicos. No entanto, nem todas as pessoas acompanham esta evolução ao mesmo ritmo. Entre os idosos, a falta de conhecimentos digitais pode contribuir para uma nova forma de exclusão e isolamento social.
A exclusão digital não significa apenas não saber utilizar um computador ou um telemóvel. Muitas vezes, significa depender de outras pessoas para realizar tarefas básicas e sentir dificuldade em participar plenamente na sociedade. Quando os serviços se tornam quase exclusivamente digitais, quem não possui competências tecnológicas pode sentir-se afastado, frustrado ou incapaz.
Por outro lado, a tecnologia também pode ser uma importante ferramenta de aproximação. As videochamadas permitem que avós e netos mantenham contacto, as redes sociais facilitam a comunicação com amigos e familiares, e as aplicações podem ajudar a combater a solidão. Para muitos idosos, aprender a utilizar estas ferramentas representa uma forma de conquistar maior autonomia e confiança. É importante que o ensino da tecnologia seja adaptado às necessidades da terceira idade, com paciência, linguagem simples e acompanhamento adequado.
A inclusão digital não deve significar obrigar todos os idosos a utilizar a tecnologia, sendo essencial respeitar as suas escolhas e manter alternativas presenciais e acessíveis. A tecnologia deve servir as pessoas e não criar novas barreiras. Promover a literacia digital na terceira idade é uma responsabilidade de toda a sociedade para garantir que ninguém fica para trás. O artigo foi escrito por Rita Silva, psicóloga da Associação de Solidariedade Social de Santa Cristina de Malta.




