O diretor do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior (SNPES), padre Miguel Gonçalves Ferreira, considerou que os indicadores do início do ano letivo são bons, apesar das turbulências iniciais. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o sacerdote jesuíta afirmou que as regras de acesso ao Ensino Superior foram bem acolhidas e tiveram bons frutos, embora se continuem a verificar diferenças entre o litoral e o interior do país.
O padre Miguel Gonçalves Ferreira salientou que a presença das universidades é muito relevante para as cidades do interior, dando-lhes um contributo significativo em termos económicos e sociais. Alertou, contudo, que algumas regras de apoios são desenhadas a partir de Lisboa, sem ter em conta as distâncias e circunstâncias próprias do interior, como o exemplo de alguém que estuda em Évora e vive em Portel, a cerca de 40 quilómetros.
O diretor do SNPES destacou ainda o grande desafio dos estudantes estrangeiros, maioritariamente oriundos dos Países Africanos de Expressão Oficial Portuguesa (PALOP), que em muitas universidades chega quase aos 20 por cento ou excede esta percentagem. Sublinhou que alguns destes estudantes já nasceram em Portugal e que esta realidade permite a subsistência de certas universidades no interior, como a de Coimbra, que não se concebe hoje sem essa presença.
Relativamente às praxes académicas, o padre Miguel Gonçalves Ferreira afirmou que se trata de um ritual antigo de integração que não queria ter um olhar totalmente negativo, mas que se foi degradando em alguns ambientes. Criticou o baixo nível das interações, a linguagem sexista e misógena, e os excessos nos festejos académicos, defendendo que se promova o diálogo para encontrar formas boas de preservar algo que é positivo.




