Daniela Pereira, de 39 anos, abandonou a sua carreira na área do Serviço Social há mais de um ano para assumir a gestão da Padaria Regional, em Arcozelo da Serra, com o objetivo de evitar que o negócio dos pais desaparecesse. A decisão surgiu após uma intervenção cirúrgica do pai, que expôs a vulnerabilidade do negócio por depender de poucas pessoas. Daniela assume agora a nova identidade profissional e afirma identificar-se como padeira, declarando: "Nasci nisto".
A rotina da família é intensa e sem horários fixos. Durante a noite e madrugada, a família prepara os produtos, incluindo pão em forno a lenha, bolos, doçaria seca e folhados. A mãe permanece na produção, o pai distribui em Nespereira e Daniela segue para Gouveia a partir das 9h, depois de também abastecer um supermercado. "Não há horários de jantar nem de almoçar", admite Daniela, que em dias mais preenchidos pode passar diretamente da noite junto ao forno para a manhã na estrada.
Apesar de trabalhar numa padaria, Daniela é alérgica à farinha, o que a obriga a usar máscara e a evitar tarefas com maior exposição, como parte da confeção do pão. Assim, dedica-se principalmente às pizzas, bolos de aniversário e doçaria seca. A distribuição é feita numa carrinha que percorre vários bairros, onde Daniela conhece pessoalmente cada cliente, as suas preferências e situações de vida.
Entre os clientes da carrinha estão idosos como José Salvador, de 92 anos, Augusta Carvalho, de 82 anos, e Aurora Rodrigues, de 80 anos, que dependem do serviço para evitar deslocações longas. Daniela descreve o seu papel como também sendo de companhia para pessoas isoladas, numa ligação que considera uma aplicação prática das competências adquiridas em Serviço Social. "Isto é uma família", resumiu uma das clientes. O pai mantém sentimentos divididos sobre a mudança, mas Daniela afirma que a decisão não foi motivada por razões financeiras.




