O Observatório Ibérico de Energia denunciou a paragem do reator I da central nuclear de Almaraz, em Espanha, por motivos técnicos, apenas alguns dias após o anúncio do governo espanhol de prolongar o funcionamento da central até junho de 2030. O Ministério da Transição Ecológica renovou a licença de operações das Unidades I e II há exatamente um mês, encerrando um processo que se iniciou em outubro de 2025, quando os proprietários da central concordaram em pedir formalmente a prorrogação.
O encerramento gradual dos dois reatores, em funcionamento desde o início da década de 1980, estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027 para a Unidade I e 31 de outubro de 2028 para a Unidade II. A central é propriedade da Iberdrola (53%), da Endesa (36%) e da Naturgy (11%).
O Observatório Ibérico de Energia acusou o Conselho de Segurança Nuclear espanhol de "complacência" e de ter deixado de publicitar problemas e incidentes nas centrais nucleares. O organismo sublinhou que a decisão de prolongar a vida da central "esbarra com os limites dos materiais" e é afetada pelas alterações climáticas, que motivam paragens e são incrementadas pela redução de investimentos em conservação de energia e renováveis.
Vários municípios portugueses ribeirinhos do Tejo já manifestaram preocupação face ao prolongamento, e o OIE voltou a exigir que os calendários acordados sejam mantidos. Em agosto, o Observatório anunciou que associações ambientalistas portuguesas e espanholas iam avançar para tribunal contra a extensão do funcionamento da central, que está situada junto ao rio Tejo e a apenas 110 quilómetros em linha reta da fronteira portuguesa.




