A indústria portuguesa de calçado está a concluir um investimento de 100 milhões de euros em sustentabilidade, digitalização, inteligência artificial e novas tecnologias, com o objetivo de posicionar Portugal como alternativa industrial de referência à hegemonia asiática. Este investimento, materializado nos projetos BioShoes4All e FAIST (Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica), representa o maior ciclo de investimento da história do setor e surge num contexto em que cerca de 90% da produção mundial de calçado permanece concentrada na Ásia.
O presidente da APICCAPS, Luís Onofre, afirma que Portugal produziu 74 milhões de pares em 2025, com um excedente comercial próximo de mil milhões de dólares, demonstrando uma base industrial sólida e competitiva. Na sua intervenção nas feiras Micam, Lineapelle e Simac em Milão, onde participaram 71 empresas portuguesas, salientou que a estratégia portuguesa passa por reforçar um modelo alternativo baseado na inovação, sustentabilidade, flexibilidade, proximidade aos mercados e produção de maior valor acrescentado.
Segundo dados do World Footwear Yearbook 2026, a produção mundial de calçado manteve-se praticamente inalterada em 2025, com 24.600 milhões de pares, sendo que a China lidera com 55,6% do total, seguida da Índia e do Vietname. A Europa representa apenas 2,1% da produção mundial, assumindo um papel cada vez mais secundário, embora conserve relevância nos segmentos de maior valor acrescentado.
Luís Onofre defendeu que a Europa não pode abdicar da sua indústria e apelou a uma política industrial europeia mais ambiciosa que combine abertura ao comércio com reciprocidade e condições de concorrência equilibradas. O dirigente empresarial enfatizou que o verdadeiro desafio agora é transformar o conhecimento e a tecnologia instalada em novos produtos, mais competitividade e maior valor criado em Portugal, afirmando que "o melhor da indústria portuguesa do calçado ainda está para vir".




