A crise no Supremo Tribunal Federal que colocou os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em lados opostos serviu como fator de agregação para aliados do presidenciável Flávio Bolsonaro, reunindo alas do bolsonarismo que normalmente rivalizam entre si. O conflito teve início quando Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, pede ajuda a Moraes, além de buscar a intervenção do magistrado junto ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para escapar do cerco das investigações.
Em resposta, Moraes utilizou um relatório de inteligência da PF para apontar suposta conduta criminosa de Mendonça, elevando a tensão entre os dois ministros. Essa dinâmica fez com que diferentes alas do bolsonarismo, que frequentemente disputam entre si, adotassem discurso unificado em apoio a Mendonça.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata a Senado pelo PL do Distrito Federal, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, exemplificaram essa união ao adotarem posicionamentos semelhantes na crise. Michelle, apresentada como aliada próxima de Mendonça no texto, alinhava-se assim ao grupo que defende o ministro dentro do cenário bolsonarista.




