O estudo "CTeSP – Avaliação de uma Década de Cursos Técnicos Superiores Profissionais", realizado pelo Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, foi apresentado em Lisboa a pedido do Ministério da Educação, Ciência e Inovação. Criados em 2014 como ciclos curtos de educação superior com dois anos de duração, os CTeSP representavam em 2024/25 cerca de 13% dos novos inscritos no ensino superior, aproximando-se progressivamente da média europeia. No entanto, a taxa de ocupação das vagas permanece apenas ligeiramente acima de metade da capacidade disponível.
O estágio curricular é simultaneamente a componente mais valorizada e a que concentra mais relatos de falhas. Cerca de metade dos diplomados recebeu proposta para continuar na organização onde estagiaram, demonstrando a importância do estágio na transição para o mercado de trabalho. Ainda assim, surgem problemas como fraca articulação entre orientadores, tarefas pouco qualificadas e desajuste entre o conteúdo do estágio e o perfil formativo.
O estudo revela que existe inserção no mercado de trabalho, mas frequentemente em segmentos menos estabilizados. Os diplomados tendem a ser mais jovens, concentrar-se em empresas de menor dimensão e apresentar maior peso de contratos a termo. Em 2023, a remuneração média mensal era inferior à dos licenciados e bacharéis, embora o prémio salarial face a trabalhadores apenas com ensino secundário seja estimado entre 13,3% e 22,4%. Os diplomados desempregados apontam como principal dificuldade a ausência de oportunidades na área do curso e na respetiva região.
Mais de metade dos diplomados transitou para licenciaturas, o que sugere que muitos percursos estavam já planeados antes do ingresso. A taxa de abandono ao final do primeiro ano aumentou de 19% para 29% entre 2015/16 e 2022/23, associada a fatores socioeconómicos e à condição de estudante deslocado. As recomendações do grupo de trabalho apontam para uma formação mais profissionalizante e mais ligada ao território, sem esquecer a democratização do acesso ao ensino superior.




