A líder do Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, abriu o novo ano político com um discurso perante cerca de 3.000 pessoas em Hénin-Beaumont, cidade emblemáticos do seu percurso eleitoral no norte desindustrializado de França. A intervenção decorreu no mesmo dia em que Jordan Bardella, presidente do partido, completou 31 anos, tendo-se mantido no palco em silêncio enquanto a plateia aplaudia a dirigente. As sondagens colocam Le Pen na liderança das intenções de voto para as próximas eleições presidenciais.
No seu discurso, Le Pen afirmou que «os franceses terão prioridade na sua casa», sublinhando que a eleição presidencial «decidirá tudo» e apelando a uma reviravolta que conduza ao «renascimento de França». A candidata centrou a mensagem económica na habitação e nas dificuldades das classes populares, propondo a revogação da legislação que obriga os municípios a manter uma quota de 25 por cento de habitação social, e criticando as exigências ecológicas impostas ao sector da construção civil, que segundo ela colocaram o mercado imobiliário «numa espiral de recessão».
Le Pen prometeu ainda uma redução de impostos e uma descida da idade legal de reforma para responder à perda de poder de compra. A dirigente evocou o impacto do fecho de fábricas na antiga bacia mineira de Pas-de-Calais e criticou os antigos primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal, apontados como responsáveis pelas actuais políticas económicas. No encerramento, atacou o actual sistema político, declarando que «há que enfrentar este sistema tóxico onde tudo se faz para perdurar no poder».
No plano externo, o Reagrupamento Nacional procurou demarcar-se da Alternativa para a Alemanha (AfD), justificando publicamente o corte de relações com a força alemã devido a posições radicais e à relativização de acontecimentos históricos associados ao nazismo. A implantação de Le Pen em Hénin-Beaumont remonta a 2007, tendo sido impulsionada por Steeve Briois, actual presidente da câmara municipal que cumpre o terceiro mandato consecutivo, num esforço para demonstrar que o partido pode gerir a administração local e projectar uma imagem de normalidade institucional.
