Paco Crespo começou a trabalhar aos 14 anos e descontou durante 46 anos para o sistema de Segurança Social espanhol. Aos 60 anos, porém, foi despedido depois de várias décadas na mesma empresa e, sem conseguir regressar ao mercado de trabalho, acabou por pedir a reforma antecipada aos 62 anos. A decisão teve uma consequência pesada: a sua pensão passou a sofrer uma redução de 18%, uma penalização que se mantém de forma vitalícia.
O caso foi divulgado pela associação ASJUBI40, que representa reformados com carreiras contributivas longas e contesta os coeficientes redutores aplicados em determinadas reformas antecipadas. Paco Crespo considera que está a ser penalizado injustamente apesar de ter contribuído durante quase meio século. "No meu caso, penalizam-me com 18% para toda a vida, e isso é muito injusto", afirmou num vídeo divulgado pela associação.
A redução não é temporária nem desaparece depois de alguns anos, prolongando-se durante toda a reforma. Esta característica tem levado vários reformados espanhóis com mais de 40 anos de contribuições a contestarem o atual sistema. A ASJUBI40 defende a eliminação dos coeficientes redutores para trabalhadores com mais de 40 anos de descontos que tenham sido obrigados a abandonar o mercado de trabalho antes da idade legal de reforma.
Paco Crespo decidiu levar a contestação além das fronteiras espanholas e apresentou queixas junto das instituições europeias. O caso tornou-se um dos exemplos usados para chamar a atenção para a situação de milhares de trabalhadores espanhóis que recorrem à reforma antecipada depois de perderem o emprego numa fase já avançada da vida profissional, mantendo o debate em Espanha sobre as penalizações nas reformas antecipadas.




