A vindima regressou ao Douro, trazendo consigo a atividade que durante gerações marca o ritmo da região. O vinho é o produto principal da vinha, sustenta produtores e empresas e leva o nome do Douro ao mundo. No entanto, durante o processo de produção, geram-se também grandes quantidades de subprodutos como engaços, grainhas, bagaços e borras, que durante muito tempo foram vistos apenas como resíduos.
Estes materiais possuem uma composição química complexa, particularmente rica em compostos fenólicos com propriedades antioxidantes, antimicrobianas e anti-inflamatórias. A investigação tem demonstrado que podem ter aplicações em cosméticos, ingredientes alimentares, produtos farmacêuticos, nutracêuticos e biomateriais, abrindo possibilidades que há poucos anos seriam difíceis de imaginar.
A autora, Ana Novo Barros, professora da UTAD e investigadora do CITAB, defende que esta transformação representa uma oportunidade para criar valor adicional a partir da mesma vinha e da mesma vindima. No entanto, reconhece que existe um caminho considerável entre demonstrar o potencial em laboratório e transformar esses extratos em produtos reais. Sublinha a importância de aproximar universidades, produtores, adegas, empresas e investidores para que o conhecimento saia do laboratório e encontre aplicação prática.
A autora conclui que o vinho continuará a ser o grande valor da vindima, mas argumenta que o valor do Douro não deveria terminar na garrafa. Defende que parte do novo valor criado a partir destes subprodutos deveria permanecer na região, criando novas cadeias de valor, competências e empresas que acrescentem futuro a uma atividade profundamente ligada à história do Douro.




