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A Maldição da Ponte do InfanteFoto de MabelAmber no Pexels
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A Maldição da Ponte do Infante

Correio do Porto13 de setembro de 2026 às 16:04

Amadeu Nogueira, funcionário da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, perdeu o filho Alfredo, de 23 anos, em Abril de 2004, quando este supostamente se atirou da Ponte do Infante, que liga o Porto a Gaia. O certificado de óbito registou a causa da morte como "indeterminada" e Amadeu nunca conseguiu apurar se foi suicídio, acidente ou se alguém o empurrou. Inconformado, iniciou uma cruzada para reclamar a colocação de vedações de segurança mais altas na ponte, convencido de que poderia ter salvo outras vidas. A mulher de Amadeu nunca mais conseguiu trabalhar e está reformada por invalidez.

Desde a morte do filho, Amadeu organizou um abaixo-assinado, escreveu a vários ministros, autarcas, à protecção civil, à polícia marítima e ao bispo do Porto, mas não obteve resposta. Em 2007, interpus uma acção judicial no Tribunal Administrativo e Fiscal contra a Metro do Porto SA, a empresa responsável pela construção da travessia, como contrapartida da disponibilização do tabuleiro superior da Ponte D. Luís para a linha de metropolitano. A acção visa a instalação de barreiras de segurança mais altas para evitar a perda de vidas. O caso chegou a julgamento em Janeiro e, embora aguarde sentença, Amadeu considera já ter vencido: "O caso chegou a julgamento."

A acção judicial refere que "só no primeiro ano após a inauguration" da ponte, em Março de 2003, se perderam mais de 20 vidas, salientando a falta de vedações altas e o facto de os sinais de trânsito junto ao gradeamento facilitarem "a subida para o parapeito". Uma testemunha em tribunal contabilizou "mais de 70 mortes" na ponte. A Metro do Porto argumenta que respeitou todos os parâmetros legais e que a altura do gradeamento actual é de 1,10 metros. A empresa lembra ainda que o Tribunal de Contas alertou que a manutenção da travessia era responsabilidade das autarquias de Gaia e do Porto, mas estas nunca se entenderam.

Amadeu guarda com zelo de investigador todas as provas, incluindo notícias e croquis do local. Percebeu que a travessia já tinha sido palco de muitas quedas e suicídios desde a abertura e decidiu agir. Pediu um advogado à Ordem dos Advogados, que foi nomeando vários, que sucessivamente pediram escusa, até que Sónia Pacheco aceitou o caso. A advogada concluiu que a legislação sobre os gradeamentos nas pontes deve ser revista. Amadeu está disposto a ir até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se necessário e acredita que muitas mortes podiam ter sido evitadas.

Porque é que isto importa

Os leitores do Porto e de Gaia são directamente afectados por esta questão de segurança pública, pois a Ponte do Infante é uma travessia utilizada diariamente por milhares de pessoas. O artigo sigue um processo judicial que pode definir responsabilidades e levar a alterações legislativas sobre requisitos de segurança em pontes, potencialmente influenciando a segurança de outras infraestruturas semelhantes em Portugal.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Correio do Porto a 13 de setembro de 2026 às 16:04; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Ocorrências e diz respeito a Porto. Nesta secção temos atualmente 24770 artigos.

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