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María criou 5 filhos e teve meses sem dinheiro para encher o frigorífico mas reformou-se com pensão de 3.470,79€: “Depois de tudo o que trabalhei e lutei, mereço”Foto de voltamax no Pexels
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María criou 5 filhos e teve meses sem dinheiro para encher o frigorífico mas reformou-se com pensão de 3.470,79€: “Depois de tudo o que trabalhei e lutei, mereço”

Postal do Algarve13 de setembro de 2026 às 16:00

María Dolores Miralles, antiga enfermeira de Jaén, reformou-se aos 66 anos com uma pensão contributiva de 3.470,70 euros brutos mensais, pagos 14 vezes por ano, o que corresponde a 2.741,85 euros líquidos após retenção de 21% de imposto. O documento da Segurança Social espanhola reconhece 41 anos e 320 dias de contribuições, com uma base reguladora de 3.323,10 euros à qual foi aplicada uma percentagem de 100%. O valor inclui ainda um complemento de 147,60 euros correspondente à redução da desigualdade de género nas pensões, atribuído por cada filho até ao máximo de quatro. A pensionista recebeu ainda um pagamento único de 12.480,76 euros brutos pelo adiamento da reforma durante um ano.

O caminho até esta pensão ficou marcado por enormes dificuldades. Depois de um divórcio, María ficou responsável por cinco filhos, o mais novo com apenas alguns meses de idade. Nessa altura, trabalhava apenas através de substituições e lugares temporários, chegando a acumular vários empregos para pagar as despesas da família. A antiga enfermeira revelou que houve meses em que não tinha dinheiro para encher o frigorífico e se questionava sobre o que daria de comer aos filhos. Alguns desses trabalhos foram realizados sem registo na Segurança Social, uma realidade que associou às condições laborais existentes há cerca de três décadas.

Apesar das dificuldades, María continuou a estudar enquanto trabalhava e criava os filhos. Primeiro obteve aprovação num concurso para auxiliar de enfermagem e depois matriculou-se no curso de enfermagem, que concluiu conciliando com o trabalho e os filhos. Depois de obter o diploma, conciliou o trabalho como auxiliar com substituições como enfermeira e preparou o concurso de enfermagem da Junta da Andaluzia, tendo sido aprovada à primeira tentativa. Durante esse período, escreveu ainda capítulos para livros de formação em diferentes áreas da enfermagem. A estabilidade profissional permitiu-lhe comprar um apartamento, pagar as dívidas acumuladas e continuar a sustentar os cinco filhos.

Agora, aos 66 anos, María planeia dedicar o tempo da reforma aos oito netos, algo que não conseguia fazer enquanto acumulava trabalho e estudos. Questionada sobre se mudaria alguma coisa no seu percurso, garante não estar arrependida e considera que a vida apresenta obstáculos diferentes a cada pessoa, sendo importante ultrapassá-los até alcançar os objetivos. A antiga enfermeira resumiu o que sente nesta nova fase com uma frase: "Depois de tudo o que trabalhei e lutei, mereço."

Porque é que isto importa

Embora se trate de uma história espanhola, leitores de Portugal acompanham com interesse o debate sobre pensões e reformas em Espanha, país com sistema de Segurança Social semelhante ao português. O artigo ilustra como décadas de contribuições, sacrifício pessoal e formação contínua podem resultar em pensões elevadas, ao mesmo tempo que mostra as dificuldades enfrentadas por mãessoleiras. A referência ao complemento para redução da desigualdade de género nas pensões pode despertar interesse sobre mecanismos semelhantes em Portugal.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Postal do Algarve a 13 de setembro de 2026 às 16:00; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Mundo. Nesta secção temos atualmente 18641 artigos.

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