O presidente da CCP (Confédération du Commerce et Services de Portugal), Gustavo Paulo Duarte, defendeu em entrevista ao Negócios e à Antena 1 que é possível alcançar um acordo sobre a reforma laboral em sede de concertação social, desde que esta inclua medidas que "verdadeiramente interessem". Segundo Gustavo Paulo Duarte, todos os intervenientes, tanto trabalhadores como empresas, pretendem melhorias nas condições de trabalho, e a reforma laboral rejeitada não deve ser considerada a única opção disponível.
O líder da CCP considerou que a negociação da reforma laboral foi um exemplo do que não se deve fazer, pois o processo consistiu numa situação em que o Governo apresentou as medidas e as outras partes apenas as discutiram, em vez de um verdadeiro diálogo entre todas as partes. Gustavo Paulo Duarte referiu que as suas "linhas vermelhas" são todas as medidas que afetem o setor e os trabalhadores dos transportes, exemplificando que a reforma laboral do Governo não ia resolver os problemas desse setor.
A confederação afirmou que o pior inimigo do salário médio é o decreto do salário mínimo, argumentando que quando se sobe o salário mínimo nacional, está-se a comprimir todos os restantes trabalhadores, dado que as empresas ficam sem capacidade para distribuir dinheiro pelos outros trabalhadores. O acordo tripartido em vigor até 2028 prevê uma subida do salário mínimo para os 970 euros no próximo ano.
O Governo e os parceiros sociais vão reunir-se em concertação social na quarta-feira, com a presença do ministro das Finanças, Miranda Sarmento, para discutir o Orçamento do Estado para 2027 e a transparência salarial.




