O número de micro e pequenas empresas (MPEs) sob proteção da Justiça em processos de recuperação judicial chegou a 2.821 em junho, representando um salto de 41,4% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Esse crescimento é quase o dobro do ritmo registrado pelo conjunto das empresas médias e grandes do país, que teve avanço de 21,2% no período, segundo o levantamento Monitor RGF-BizDoc. A maior parte dos processos está concentrada no setor de comércio.
No acumulado do primeiro semestre, o avanço nos processos de recuperação judicial foi de 18,3% entre as microempresas e 11,2% nas pequenas empresas, contra apenas 8% da taxa geral do país. Os dados demonstram que a onda de recuperações judiciais está alcançando de forma mais acelerada os negócios de menor porte.
O pano de fundo dessa situação envolve a taxa de juros mantida em patamar elevado por um longo período, o que encarece o crédito e compromete o caixa das empresas. Há também o efeito negativo vindo do recuo no consumo, diante do alto endividamento das famílias brasileiras.
Dois fatores agravantes diferenciam a situação dos pequenos negócios em relação às médias e grandes empresas. Primeiro, o pequeno negócio costuma ter caráter familiar, com gestão pouco profissionalizada. Segundo, essas empresas possuem menor capitalização, o que as deixa mais vulneráveis em momentos de crise econômica.




