Rita Bravo é uma poeta de Faro, Algarve, que se tornou campeã nacional de poetry slam em 2025. Já representou Portugal no Mundial de Paris e prepara-se para participar no Europeu de Graz, na Áustria, em novembro. A sua obra poética inclui os projetos C(ALMA) e IN(QUIETA), que refletem a sua ligação à natureza algarvia e a experiência de viver em Lisboa e Cracóvia.
Na entrevista ao POSTAL, Rita Bravo falou da sua identidade artística, marcada pelo contraste entre a calma e a contemplação do Algarve e a inquietação das cidades. Cresceu rodeada de natureza fora do centro de Faro, onde escreveu o seu primeiro poema aos dez anos, sobre uma flor do jardim de casa. A experiência de viver noutras cidades revelou-lhe outra espécie de beleza, ligada ao caos e ao movimento, que acabou por entrar na sua escrita.
Rita Bravo defende que o poema ganha corpo no palco através da voz, da respiração e do gesto, transformando-se num encontro com o público. Sobre o reconhecimento que recebeu, incluindo distinções literárias e uma bolsa de criação, afirma que tenta separar a escrita da procura de validação, escrevendo porque precisa de escrever. O slam ensinou-lhe que competir pode significar desafiar-se a si próprio e testar os limites da linguagem.
Além da criação artística, Rita Bravo promove iniciativas comunitárias como o Poets Wanted, workshops com jovens e uma incubadora de inovação social em Faro. Está prestes a iniciar um mestrado em Processos de Criação e deseja construir um percurso que cruze poesia, performance, música e trabalho comunitário a partir do Algarve, criando condições para que seja possível desenvolver arte e comunidade na região.




