Nas últimas semanas antes da colheita, os produtores de vinho enfrentam uma corrida com duas frentes. Cada dia adicional na planta melhora a maturação das uvas, aumentando o açúcar e os aromas, mas também eleva o risco de perder os cachos. Os primeiros sinais de alerta aparecem quando bagos acastanhados e murchos surgem no meio de um cacho aparentemente saudável.
Setembro coloca qualquer produtor diante da mesma decisão difícil. As uvas ainda não atingiram o ponto ideal, mas anuncia-se chuva, e a partir desse momento o tempo deixa de estar a seu favor. É a corrida clássica da vindima: esperar para ganhar qualidade ou colher antes que tudo se perca.
O responsável por esta situação é um fungo que está sempre presente na vinha, escondido em restos de poda, folhas velhas e bagos danificados. Durante o verão, o fungo mantém-se discreto porque lhe falta humidade, sendo a chuva o elemento que o liberta e permite a sua propagação.
A podridão cinzenta ataca os cachos na fase final da maturação, cobrindo-os com um bolor cinzento acastanhado. Ao contrário de outras doenças, este fungo não necessita de infetar a planta através de feridas, o que o torna particularmente perigoso durante o período crítico que antecede a colheita.




