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Gonçalo Boavida: Lei do Lobby traz “reforço da confiança pública”Foto de kalhh no Pexels
Política

Gonçalo Boavida: Lei do Lobby traz “reforço da confiança pública”

Campeão das Províncias13 de setembro de 2026 às 08:15

A Lei do Lobby entrou em vigor a 27 de Julho, criando regras e um registo obrigatório para quem representa interesses junto do Estado. Pela primeira vez, Portugal passa a ter um regime geral de transparência aplicável à interacção entre entidades privadas, nacionais ou estrangeiras, e entidades públicas. Em entrevista ao "Campeão das Províncias", Gonçalo Boavida, presidente da Associação Public Affairs Portugal (PAPT), refere que esta lei representa uma mudança estrutural na forma como o país encara a representação de interesses.

O centro deste novo regime é o Registo de Transparência da Representação de Interesses (RTRI), de carácter público, gratuito e de acesso aberto, gerido pela Assembleia da República, cuja entrada em pleno funcionamento está prevista para 1 de Janeiro de 2027. Boavida destaca que a principal mais-valia da lei será o reforço da confiança pública, ao tornar a participação de empresas, associações e cidadãos mais clara e transparente. As entidades que pretendam exercer actividades de representação de interesses deverão inscrever-se, identificando os interesses que representam e as pessoas responsáveis por essa actividade.

Em caso de incumprimento, a lei prevê consequências como a suspensão total ou parcial do registo, limitações nos contactos institucionais com entidades públicas e a exclusão da participação em consultas públicas por um período determinado. Boavida sublinha que, além das consequências formais, existem também consequências reputacionais, dado que o incumprimento pode afectar a confiança institucional na entidade em causa.

Boavida considera que este enquadramento legal representa um passo significativo para a profissionalização do sector, ao reconhecer a representação de interesses como uma actividade legítima sujeita a normas de transparência e responsabilidade. Portugal aproxima-se agora das práticas adoptadas em várias democracias europeias, embora ainda se encontre no início de uma fase de implementação. A PAPT pretende ser interlocutor junto da Assembleia da República e contribuir para que a implementação da lei seja feita com rigor e diálogo.

Porque é que isto importa

A lei afeta diretamente empresas, associações, sociedades de advogados e quaisquer organizações que pretendam interagir com entidades públicas em Portugal, obrigando-as a registar-se e a cumprir novos deveres de transparência. Os leitores que acompanham processos legislativos ou participam em consultas públicas deberán estar atentos aos prazos de adaptação, com o registo obrigatório a entrar em vigor em janeiro de 2027. A implementação desta lei representa uma mudança estrutural no enquadramento da representação de interesses em Portugal, aproximando o país das práticas adotadas noutras democracias europeias.

Sobre este resumo

Este é o nosso resumo de um artigo publicado por Campeão das Províncias a 13 de setembro de 2026 às 08:15; o texto completo fica com o editor original. Na nossa lista está na secção Política. Nesta secção temos atualmente 28811 artigos.

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