O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, criticou hoje o Ministério da Educação por repetir todos os anos a mesma "lengalenga" sobre melhorias na colocação automática de professores, sem resolver o problema de fundo que deixa alunos sem aulas a todas as disciplinas no início do ano lectivo. As suas declarações foram feitas à agência Lusa à margem da inauguração da nova sede distrital do partido em Coimbra.
Pureza considerou que os milhares de horários por preencher criam "turbulência e algum caos" na vida das pessoas, apontando como causa principal o custo de vida. Segundo o coordenador bloquista, não há professores suficientes, sobretudo em Lisboa, Setúbal e Vale do Tejo, porque as casas são demasiado caras e os salários docentes não o permitem. Pureza defendeu que é necessária uma transformação das condições de atracção e exercício da profissão, salientando que "os professores foram duramente castigados por sucessivos governos" em termos salariais, de carreiras e de reconhecimento social.
Esta sexta-feira as escolas começaram a receber alunos para mais um ano lectivo marcado pela proibição de telemóveis até ao 9.º ano e pela falta de professores. Apesar de existirem cerca de 2.700 horários por preencher, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que haverá "muito menos alunos sem aulas". Uma das medidas para minimizar o problema é a possibilidade de as escolas chamarem diariamente professores para substituir docentes em falta, mecanismo que arranca a 18 de Setembro.




