Rita Félix, nascida em Lisboa em 1981 mas com forte ligação a Tavira, é autora do livro "Que o amor seja sempre a resposta", o seu primeiro livro a solo, publicado aos 44 anos. O livro resulta da transformação do luto pela filha Beatriz e da experiência das doenças autoimunes, que a obrigaram a deixar a profissão na cosmética capilar. A entrevista ao POSTAL aborda as suas raízes algarvias, o recomeço depois de abandonar a carreira de cabeleireira e a necessidade de acolher o luto com mais humanidade.
Rita Felix foi diagnosticada com lúpus e outras doenças autoimunes, que lhe causaram 71,4% de incapacidade e a impediram de continuar a exercer a profissão que amava. Após quatro perdas gestacionais, engravidou de Beatriz, que morreu às 30 semanas de gestação. A experiência do parto e da perda da filha tornou-se a razão central do livro, no qual partilha memórias íntimas da família, sempre avaliando o que podia ser partilhado e o que devia permanecer sagrado.
A autora fala também sobre a necessidade de maior humanidade nos hospitais e na acompanhamento psicológico do luto gestacional, criticando a falta de empatia que viveu. Defende que os profissionais precisam de estar preparados não só tecnicamente, mas também emocionalmente, e que palavras cuidadas podem ajudar quem sofre. No livro, Rita Félix apresenta o conceito de "gratiamor", que resulta da combinação entre gratidão e amor, e que pretende levar para além das páginas, através de palestras motivacionais.
O seu objetivo para os próximos cinco anos é que o "gratiamor" deixe de ser apenas uma palavra sua e passe a ser uma forma de estar na vida de muitas pessoas, chegando a hospitais, escolas, associações e famílias em luto. Rita Félix acredita que o amor verdadeiro não precisa de fazer barulho, mas precisa de tocar alguém, e espera que a sua experiência possa dar força e conforto a quem atravessa momentos difíceis.




