As Feiras Novas são uma romaria tradicional em Ponte de Lima que ocupa um lugar especial na vida de Fernanda Alves, de 71 anos, e Rui Cerqueira, de 59 anos. Ambos cresceram ligados à Correlhã e ao folclore, e as suas memórias de infância revelam a importância desta festa nas suas vidas. Rui, ainda criança, acompanhava a mãe a pé desde a Correlhã até Ponte de Lima pelo Caminho do Topo, hoje integrado no Caminho de Santiago. Fernanda, por sua vez, guarda a memória de uma promessa do pai: depois de esfolharem o milho de um campo, poderiam ir ver o fogo das Feiras Novas.
Fernanda e a irmã chegaram à vila, comeram uma sandes e beberam uma gasosa no Cachadinha, mas o pai considerou que já tinham visto as luzes e decidiu levá-las de volta para casa. No caminho, o pai tocava concertina e cantava, pedindo às filhas que cantassem também, mas elas estavam revoltadas por não terem visto os fogos de artifício. Só depois de casar é que Fernanda finalmente assistiu ao famoso fogo das Feiras Novas, o que ela descreve como "a nossa maior liberdade, depois de casar".
Atualmente, a festa continua a ocupar um lugar importante na vida de ambos. Fernanda considera as Feiras Novas a sua festa preferida, gostando particularmente do cortejo e das noites de sábado em que saía para dançar e cantar com o marido. Rui acompanha praticamente toda a programação: a abertura, as tunas, o cortejo, os concertos das bandas, o festival de folclore e, claro, o fogo.
Rui considera as Feiras Novas "a festa mais democrática", pela forma como junta no mesmo espaço pessoas de diferentes origens e condições. Fernanda resume a essência da festa de forma mais pessoal: "É uma festa de reforçar os laços, onde vêm os amigos."



