Os países do BRICS alcançaram um consenso sobre a declaração final de líderes depois de negociações que se prolongaram pela madrugada de sábado, superando divergências profundas sobre a formulação relativa ao conflito no Médio Oriente. O entendimento foi alcançado horas antes do início da cimeira em Nova Deli, na Índia, e é considerado um resultado diplomático relevante para o país anfitrião, que liderou consultas sustainedas a nível oficial e político para evitar que as divergências comprometessem o desfecho do encontro.
O ponto mais difícil da negociação centrou-se na forma como o texto trataria o conflito entre o Irão e os Estados do Golfo. Teerão pretendia uma referência explícita ao que considera ter sido um ataque unilateral contra o país e uma violação da Carta das Nações Unidas, enquanto os Emirados Árabes Unidos procuravam um reconhecimento das alegadas agressões iranianas à sua soberania e integridade territorial. O Irão resistiu inicialmente a que a sua posição fosse absorvida numa formulação genérica sobre soberania e integridade territorial, receando que isso diluísse a referência ao ataque de que se diz vítima.
Os negociadores concordaram um texto que não nomeará diretamente nenhum país no conflito do Médio Oriente, mas que condenará a guerra unilateral promovida por qualquer Estado. A cimeira decorre num momento marcado por uma nova escalada entre Washington e Teerão, com a retoma de ataques mútuos num conflito que já dura seis meses, após uma pausa nos combates ao longo de boa parte de agosto e um reforço da presença dos rebeldes houthis, alinhados com o Irão, na região do Mar Vermelho.
A questão da Palestina revelou-se, por comparação, menos controversa, com aceitação generalizada em manter a formulação da declaração do Rio, de 2025. A 18.ª cimeira dos BRICS realiza-se em Deli, tendo como anfitrião Narendra Modi, e reúne líderes como Vladimir Putin, Xi Jinping, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, Cyril Ramaphosa e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi. O bloco, que junta ainda Brasil, Egito, Etiópia e Indonésia, representa mais de 40% da população mundial e cerca de um quarto da economia global.




