O aparecimento de peixes, caranguejos e aves mortas na ribeira de Alcantarilha, em Silves, levou um grupo de associações ambientalistas a reclamar a criação urgente da Reserva Natural da Lagoa dos Salgados. Entre as aves encontradas mortas estavam espécies protegidas como colhereiros, íbis-pretas, garças e patos. As organizações relacionam a ocorrência com os baixos níveis de oxigénio na água e as temperaturas elevadas.
As associações alertam que, sem o estatuto de reserva natural, a Lagoa dos Salgados continuará desprotegida. O grupo critica que a gestão atual se tem limitado a intervenções pontuais para resolver emergências, defendendo a necessidade de uma mudança de abordagem focada na prevenção e na gestão proativa.
A área proposta para a reserva tem mais de 400 hectares e estende-se da ribeira de Alcantarilha, no conselho de Silves, até à Lagoa dos Salgados, na ribeira de Espiche, no conselho de Albufeira. O projeto esteve em consulta pública entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, tendo recebido mais de 800 participações. As organizações lamentam que a classificação tenha sido prometida há quatro anos e ainda não tenha sido concretizada.
As associações reconhecem que a classificação não seria suficiente para evitar todos os problemas, mas defendem que daria instrumentos para antecipar riscos e acompanhar o estado dos ecossistemas. O apelo é assinado por nove organizações, incluindo A Rocha, Almargem, WWF Portugal, Liga para a Proteção da Natureza, Quercus e ZERO.




