As Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santo António, no Lombo dos Aguiares, mantêm há mais de meio século a devoção ao Senhor da Paciência, uma ligação que faz parte da identidade espiritual da comunidade. A Irmã Patrícia Rocha, superiora local e delegada da Presidente da Federação das Irmãs Clarissas de Portugal, explica que as clarissas se definem como guardiãs do Senhor da Paciência, sendo a capela dedicada a esta devoção um lugar de peregrinação. Os mantos da imagem, bordados pelas próprias irmãs, são uma das expressões visíveis desse cuidado.
A história desta devoção está intimamente ligada ao antigo Mosteiro das Mercês e à Serva de Deus Madre Virgínia Brites da Paixão. Aquando da expulsão das ordens religiosas, a imagem do Senhor da Paciência foi levada para o Pomar do Miradouro, em Santo António, tornando-se um símbolo de resistência e fidelidade à fé. A imagem permaneceu no quarto de Madre Virgínia desde 1910 até à inauguration da capela do atual mosteiro, a 5 de novembro de 1985.
A primeira celebração pública em honra do Senhor da Paciência realizou-se a 19 de junho de 1969, dois anos depois da chegada das primeiras Clarissas ao local, por impulso do Pe. Abel Augusto da Silva, primeiro capelão da comunidade. A festa passou depois a realizar-se no segundo domingo de setembro, consolidando-se como um dos momentos de maior encontro entre o mosteiro e a população, onde muitos fiéis acorrem para agradecer graças recebidas ou confiar intenções à oração das religiosas.
A imagem de Cristo sentado, coroado de espinhos e despojado, é apresentada pela Irmã Patrícia como modelo do sofrimento silencioso, capaz de ensinar a enfrentar as contrariedades da vida com serenidade e perseverança. Para as clarissas, a paciência não é apenas a virtude de saber esperar, mas a atitude mantida enquanto se espera, resumida na frase da religiosa: "A paciência é a melhor amiga da fé."




