Uma investigação realizada em 182 espécies animais veio derrubar um mito com cerca de 70 anos sobre a estrutura do cérebro humano. A ideia popular de que o cérebro humano é composto por camadas sobrepostas, das mais primitivas às mais evoluídas, com um "cérebro de lagarto" ancestral escondido por baixo de estruturas mais sofisticadas, não corresponde à realidade. O estudo demonstra que não existe essa separação entre uma mente racional e instintos primitivos.
A investigação mostrou que o fator determinante para compreender o cérebro não é a sua suposta evolução por camadas, mas sim a forma como os neurónios estão ligados entre si no momento do nascimento. Esta descoberta representa uma mudança fundamental na forma como os cientistas entendem a organização cerebral.
Esta nova perspetiva sobre a arquitetura cerebral pode ter implicações importantes para o desenvolvimento da inteligência artificial. A lógica identificada pelos investigadores sugere que modelos computacionais mais eficientes poderiam ser criados tendo em conta a conectividade neuronal presente desde o início do desenvolvimento.
A tensão cultural entre lógica e emoções, frequentemente representada como uma batalha entre duas mentes diferentes, precisa de ser revista à luz destas descobertas. O cérebro não funciona como uma estrutura hierárquica simples, mas sim como um sistema mais complexo cujas características fundamentais são determinadas pelas conexões neuronais estabelecidas antes mesmo do nascimento.




