Rui Rocha, antigo líder da Iniciativa Liberal, destacou-se na recente audição parlamentar do ministro Luís Neves no Parlamento por fazer perguntas focadas e concretas, em contraste com a abordagem dos restantes deputados que considerou ser demasiado verbalosa e incapaz de produzir questões específicas sobre assuntos concretos. O Jornal Económico ouviu Rui Rocha para perceber como preparou e avalia a sua intervenção nesta audição.
Segundo Rui Rocha, a preparação para uma audição parlamentar envolve trabalho intenso de análise de informação, incluindo notícias, comentários e intervenções públicas do ministro. O antigo líder da IL refere que o ministro é "muito confuso" e que expurgar essa confusão das suas declarações requer tempo. Rui Rocha trabalhou com uma equipa pequena, apenas ele e o assessor Diogo Meira, e sublinha a importância de antecipar as respostas do inquirido, evitando perguntas abertas que permitam fugir ao assunto. O seu objetivo era confrontar Luís Neves com contradições e forçar silêncios que também são relevantes.
Rui Rocha critica abertamente a abordagem dos seus colegas deputados, afirmando que "fazem muitos floreados" e "estão habituados ao TikTok". Defende que numa audição com objetivo de obter respostas, as perguntas devem ser fechadas, concisas e incluir a posição de quem pergunta, obrigando o outro lado a rebater ou a validar a sua posição pelo silêncio ou resposta insuficiente. Na sua intervenção, fez uma introdução de um minuto com a sua convicção, seguida de perguntas que visavam demonstrar que o ministro mentiu aos portugueses, incluindo questões sobre as sulipas e sobre os empréstimos bancários para compra de terrenos.
Rui Rocha ficou satisfeito com o seu desempenho, considerando que a estratégia foi bem executada e que conseguiu demonstrar que Luís Neves não está confortável e não responde às perguntas de forma rigorosa e verdadeira. Das perguntas que colocou, salientou a questão sobre a maçonaria para causar desconforto ao ministro, e as perguntas sobre as sulipas e os empréstimos, que criaram a ideia de falta de transparência. Por falta de tempo, não conseguiu colocar uma pergunta que tinha preparado: o que faria o ministro se fosse constituído arguido.




