O Governo decidiu que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Grupo Águas de Portugal têm 120 dias para apresentar uma solução que reforce o abastecimento de água na Margem Sul do Tejo, reduzindo a dependência do aquífero Tejo-Sado. O Despacho n.º 11127/2026, publicado a 9 de setembro em Diário da República, determina a elaboração de estudos para identificar uma nova origem de água, potencialmente a partir de Castelo de Bode e/ou do rio Tejo. A decisão surge perante a previsão de aumento da procura de água devido ao futuro Aeroporto Luís de Camões em Alcochete e à expansão urbana, habitacional, empresarial e logística associada.
O aquífero Bacia do Tejo-Sado/Margem Esquerda prolonga-se até ao Alentejo Litoral, onde existem captações subterrâneas para abastecimento público. Em Alcácer do Sal, foram aprovadas em agosto as proteções de duas captações em Brejos da Carregueira, na Comporta, que abastecem 89 habitantes com um volume médio de 94,61 metros cúbicos por dia. No município de Grândola, a captação Água Derramada/CBR1 serve 191 habitantes com 63,39 metros cúbicos diários. Ambas as massas de água estão classificadas com Estado Global Medíocre no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo.
No Alentejo existe já uma experiência de preservação deste aquífero: a ETAR da Comporta dispõe de um sistema de Recarga Gerida de Aqüíferos com quatro lagoas de infiltração, em funcionamento desde 1 de outubro de 2021. O sistema utiliza água residual tratada para reforçar a disponibilidade do aquífero Tejo-Sado e integra o projeto europeu MARCLAIMED, com participação da Águas Públicas do Alentejo e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
O despacho não determina que a água de Castelo de Bode venha a ser transportada para a Margem Sul, limitando-se a exigir estudos técnicos, custos, impactes ambientais e calendário de execução. A solução final poderá recorrer a Castelo de Bode, ao rio Tejo ou a uma combinação de origens. Contudo, qualquer redução da pressão sobre o Tejo-Sado terá efeitos na preservação de uma reserva subterrânea partilhada que se estende até ao Alentejo Litoral.




