As rendas prime dos centros comerciais em Lisboa subiram em média 8,1% ao ano nos últimos três anos, segundo dados do relatório European Shopping Centre Spotlight H1 2026 da consultora Savills. Este crescimento coloca a capital portuguesa ao nível das principais cidades europeias, ficando a par do registado em Milão. A valorização está ligada a um nível de desocupação muito baixo, com a taxa a situar-se em 3,1% em 2025, um dos valores mais reduzidos da Europa, atrás apenas de Milão, com 1,3%.
A taxa de desocupação média na Europa caiu de 9,7% para 9,1% em 2025, a primeira descida em dez anos. O volume de investimento em centros comerciais atingiu 12 mil milhões de euros em 2025, e no primeiro semestre de 2026 este segmento já representava 34% do investimento total em retalho na Europa, a quota mais alta desde 2022. A consultora antevê que Lisboa acompanhe o crescimento de 1,3% nas vendas a retalho em 2026.
O stock de centros comerciais em Portugal ronda os três milhões de metros quadrados, um dos volumes mais baixos entre os principais mercados europeus, ao lado de países como a Áustria ou a Finlândia. A Savills refere que é este contexto de oferta limitada que ajuda a explicar a pressão sobre as rendas em Lisboa. As farmácias e lojas de saúde e beleza figuram entre as categorias com melhor desempenho até 2030, com um crescimento anual de cerca de 4%, enquanto o crescimento nas vendas de vestuário e calçado e de artigos para casa deverá abrandar.
Patrícia Matias, director of Retail Services da Savills Iberia, prevê uma nova descida da taxa de desocupação na Europa e uma subida adicional das rendas prime nos próximos trimestres, mas os ganhos deverão continuar concentrados nos centros de maior qualidade. Segundo a consultora, para mercados com pouco espaço disponível, como Lisboa, esta combinação deverá manter a pressão sobre as rendas prime nos próximos anos.




