A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) enviou um ofício à Autoridade da Concorrência (AdC) a solicitar uma análise aprofundada às condições de concorrência nas ligações aéreas entre o continente e os Açores, que em alguns períodos ultrapassam os 500 euros por viagem de ida e volta. A associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria desenvolveu uma análise sobre a evolução das tarifas aéreas que revelou que as classes tarifárias mais baixas não estão regularmente disponíveis, mesmo quando as pesquisas são realizadas com grande antecedência.
A CCIPD não afirma a existência de conluio entre os dois operadores aéreos, a TAP e a Azores Airlines, mas considera que a atual estrutura do mercado, após a saída da Ryanair dos Açores, conjugada com a existência de cooperação comercial entre as duas companhias (acordo code-share), justifica uma análise por parte da AdC. A própria Autoridade da Concorrência, num parecer emitido em maio de 2026, já tinha identificado riscos de que uma maior aproximação entre os operadores pudesse reduzir a pressão concorrencial e conduzir a preços mais elevados.
A associação aponta exemplos concretos da disparidade de preços, como viagens entre Praia, em Cabo Verde, e Ponta Delgada, com cerca de quatro horas de voo, por aproximadamente 218 euros, enquanto ligações entre Lisboa e Ponta Delgada, com apenas duas horas de duração, apresentam valores de ida e volta superiores a 500 euros. A CCIPD alerta ainda que os preços nas ligações Lisboa-Ponta Delgada se situam, em diversos períodos, próximo do dobro dos valores médios encontrados para Lisboa-Funchal, uma rota com maior concorrência entre operadores.
A associação defende que é imprescindível recuperar condições efetivas de concorrência nas ligações aéreas com o continente, assegurar uma gestão da capacidade compatível com as necessidades do destino e garantir que os consumidores tenham acesso regular às várias classes tarifárias. A CCIPD alerta que os efeitos das tarifas elevadas não recaem apenas sobre quem necessita de viajar, afetando também a competitividade turística do arquipélago.




