O primeiro-ministro Luís Montenegro reconheceu esta sexta-feira que "nos últimos anos o ensino perdeu qualidade, perdeu exigência", numa reação aos resultados do PISA que mostraram um agravamento do desempenho dos alunos portugueses. Esta declaração foi feita no arranque do ano escolar, em Setúbal, onde inaugurou o novo Centro Escolar Barbosa du Bocage. Montenegro voltou a apontar os resultados da avaliação internacional como evidência da perda de qualidade do ensino, mas destacou que as medidas adotadas pelo atual Governo procuram inverter essa trajetória.
No mesmo dia em que Pedro Passos Coelho o avisou que "o tempo está a esgotar-se" para fazer reformas, Montenegro respondeu que "ninguém muda a escola, ninguém muda o município e ninguém muda o país com tristezas e com lamúrias", defendendo que o Executivo está focado em enfrentar e superar os desafios.
Sobre a falta de professores, o primeiro-ministro destacou a integração de mais de 3.000 docentes na escola pública, mas admitiu que "ainda não chega". Na Península de Setúbal, onde a fixação de docentes tem sido particularmente difícil, foram atraídos mais 600 professores através de medidas como incentivos remuneratórios e apoios à deslocação e à habitação.
O Governo prevê a revitalização de mais 35 escolas na Península de Setúbal num investimento de 170 milhões de euros, integrado numa linha de financiamento de mil milhões de euros acordada com o Banco Europeu de Investimento. Na área do ensino profissional, 33 das 402 escolas profissionais abrangidas por investimentos estão localizadas na Península de Setúbal, num investimento de cerca de 40 milhões de euros. Montenegro defendeu ainda a restrição ao uso de telemóveis nas escolas até ao 9.º ano, argumentando que a tecnologia deve ser utilizada quando contribui para os objetivos da escola.




