A EDP e a Paper Prime colocaram em operação um projeto de eletrificação do calor industrial em Portugal. A solução consiste numa caldeira elétrica de 2,7 MW instalada na unidade industrial da Paper Prime, em Vila Velha de Ródão, que permite substituir parte do consumo de gás natural por eletricidade na produção de vapor necessária ao processo industrial. A Paper Prime produz e comercializa anualmente mais de 33 mil toneladas de produtos de papel tissue, operando 24 horas por dia, o que torna a produção de calor uma componente crítica da sua atividade.
O projeto consegue evitar mais de 830 toneladas de dióxido de carbono em apenas três meses, após ter reduzido em mais de 4,5 GWh o consumo de gás natural. Esta solução contribui para a descarbonização de uma das componentes mais exigentes em termos energéticos da indústria de papel. Durante o primeiro semestre de 2026, o preço médio da eletricidade no mercado ibérico foi inferior ao do gás natural em mais de metade do tempo, permitindo à unidade industrial operar aproximadamente 50% do tempo em modo 100% elétrico.
A solução é disponibilizada pela EDP através de um modelo Heat-as-a-Service, no qual a elétrica assume o investimento inicial, a instalação, operação e manutenção da caldeira elétrica. Desta forma, as empresas podem beneficiar da tecnologia de eletrificação do calor sem necessidade de investimento inicial. O modelo permite gerir de forma flexível a utilização de eletricidade e gás natural, adaptando a operação às condições do mercado energético e reduzindo a exposição à volatilidade dos preços.
Para a Paper Prime, o projeto representa mais um passo na estratégia de eficiência energética e descarbonização da sua atividade. António Araújo, responsável pelo negócio empresarial da EDP Comercial na Península Ibérica, referiu que a solução permite eletrificar processos de forma progressiva e flexível, reduzindo emissões sem comprometer a continuidade operacional nem a competitividade. Paulo Lobo Correia, administrador da Paper Prime, considerou que os primeiros resultados demonstram ser possível combinar descarbonização e competitividade.



