Os presidentes e CEO dos maiores bancos europeus, liderados pela presidente executiva do Santander, Ana Botín, apelaram esta quinta-feira às instituições europeias para travarem temporariamente novos aumentos dos requisitos de capital e reduzirem as barreiras regulatórias, defendendo que os bancos precisam de maior capacidade para financiar o investimento e acelerar o crescimento económico. Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, os banqueiros dizem que a Europa enfrenta simultaneamente um período de baixo crescimento, instabilidade geopolítica, desafios energéticos e a necessidade de reforçar a defesa e competir com os Estados Unidos e a China em tecnologias críticas.
Os signatários apontam para necessidades de investimento estratégico da União Europeia de 1,2 biliões de euros por ano, segundo estimativa apresentada por Mario Draghi. Os bancos financiam atualmente cerca de 75% da atividade económica, pelo que os banqueiros consideram que a concessão de crédito bancário ao setor privado terá de crescer cerca de 5% ao ano, mais do dobro do ritmo registado antes da pandemia. A primeira reivindicação é uma moratória imediata e temporária sobre novos aumentos dos requisitos de capital, tanto regulatórios como de supervisão, até que sejam implementadas reformas de longo prazo. Os bancos europeus dispõem atualmente de cerca de 2,5 biliões de euros de capacidade de absorção de perdas, um valor que os signatários dizem estar em máximos históricos.
A segunda reivindicação passa por uma simplificação permanente da regulação e por uma maior integração do sistema bancário europeu. Os banqueiros pedem à Comissão Europeia que apresente, até ao início de 2027, dois pacotes legislativos separados: um dedicado à simplificação e outro à integração. Defendem que os supervisores devem passar a considerar também a competitividade e o crescimento económico e que devem ser eliminadas barreiras nacionais que fragmentam o mercado único e dificultam a criação de escala pelos bancos europeus.
Os banqueiros rejeitam que as propostas impliquem um enfraquecimento da estabilidade financeira, argumentando que o sistema bancário europeu está hoje mais sólido e resiliente aos choques. "Não queremos enfraquecer as salvaguardas que sustentam a estabilidade financeira", afirmam. Para além de Ana Botín, a carta foi assinada pelos responsáveis do HSBC, UBS, Crédit Agricole, Société Générale, BNP Paribas, BPCE (dono do Novobanco), ING, Deutsche Bank, Barclays e Standard Chartered.




