As hortas urbanas representam uma forma de aproveitar espaços urbanos desaproveitados, trazendo benefícios ambientais como maior permeabilidade, melhor resiliência térmica, melhoria da qualidade do ar e dos solos e apoio à biodiversidade. Para além disso, ensinam paciência, sazonalidade e colocam a alimentação no lugar que merece, além de terem efeitos positivos na saúde mental e no combate ao isolamento, particularmente entre a terceira idade.
A sua implementação prática, contudo, enfrenta dificuldades. Em Coimbra, numerosos projectos de hortas urbanas foram iniciados e abandonados ao longo das décadas, frequentemente porque os interessados não mantêm a disponibilidade para os cuidados necessários durante todo o ano. É também necessário gerir os projectos com cautela para evitar o abarracamento dos espaços ou a utilização irresponsável de adubos e pesticidas.
Em Bruxelas, as hortas urbanas têm conhecido crescente popularidade, existindo micro-espaços dedicados ao cultivo de frutas, legumes, ervas aromáticas e flores, frequentemente combinados com estufas, esplanadas ou associados a restaurantes. Algumas destas iniciativas combinam sustentabilidade ambiental com sustentabilidade social.
O Belmundo é um exemplo dessas iniciativas: um restaurante criado pela associação sem fins lucrativos "Groot Eiland", com mais de 40 anos de existência, que apoia a inserção social de pessoas em situação de desemprego através de formação profissional. Há 10 anos, lançou o Belmundo, que serve comida biológica produzida nas suas hortas urbanas situadas num bairro desfavorecido de Bruxelas. Os clientes são atendidos por pessoas em formação na área da restauração, e os preços mantêm-se acessíveis para garantir um fluxo regular de clientes que permita a formação contínua de pessoal de cozinha e de sala, num espaço que promove a coesão social ao combinar ecologia, integração, natureza e sustentabilidade ambiental e social.




