Uma nova época desportiva está a começar e um estudo realizado no âmbito do projeto ATIVA+Saúde, envolvendo 549 crianças dos 9 aos 13 anos, encontrou uma associação entre a prática desportiva fora da escola e hábitos de vida mais saudáveis, abrangendo aspetos como a alimentação, o sono, a atividade física, a utilização de ecrãs e a literacia em saúde. O estudo foi desenvolvido pela Universidade de Leiria e Oeste, através do ciTechCare, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa e a Câmara Municipal de Leiria, com dados divulgados pelo Jornal de Leiria.
O artigo defende que o verdadeiro impacto do desporto de formação pode estar muito para além dos minutos passados nos campos, pavilhões, piscinas e pistas. O desporto pode ensinar a criar rotinas, a cuidar do corpo, a respeitar o descanso, a organizar o tempo, a assumir responsabilidades, a relacionar-se com os outros e, sobretudo, tanto a ganhar como a perder. A questão central colocada é se estamos a formar atletas ou a formar pessoas através do desporto.
O artigo alerta para o risco de transformar cada hábito saudável numa nova obrigação e cada treino numa oportunidade para exigir mais. A resposta, segundo o texto, não está apenas nas mãos dos treinadores, mas também nas famílias, nos clubes, nas escolas e em todos os adultos que acompanham uma criança no seu percurso desportivo. Uma criança não precisa de ser um atleta perfeito, mas sim de adultos que a ajudem a compreender como pode cuidar de si e dos outros.
O texto chama ainda a atenção para o facto de cerca de quatro em cada dez crianças avaliadas não praticarem desporto fora da escola, levantando questões sobre os obstáculos existentes, como custos, transportes, horários, falta de oferta, pressão excessiva ou falta de motivação. O autor defende que o direito ao desporto não pode significar apenas garantir que existem clubes, mas sim criar condições para que cada criança encontre no desporto um lugar onde queira estar, aprender e crescer. O marcador é importante, mas o que fica é o que a criança aprendeu — esse seria o verdadeiro resultado do desporto de formação. O autor é embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto.




