A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, anunciou na Assembleia Municipal que o Instituto Superior Miguel Torga, instituição privada detida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, deverá provavelmente ser integrado na Universidade de Coimbra. A autarca explicou que a integração e a mudança de instalações foram condições impostas pelo Ministério da Educação, tendo o reitor da UC manifestado disponibilidade para acolher o ISMT num modelo ainda por definir. A instalação nos dois edifícios municipais cedidos, situados na Rua Ferreira Borges, permitirá no futuro criar um pólo da Universidade de Coimbra na Baixa da cidade.
A proposta de cedência dos edifícios foi aprovada por maioria com 41 votos favoráveis de PS, PSD, CDS-PP, Chega, Livre, PAN e Bloco de Esquerda, quatro abstenções de Nós, Cidadãos! e Iniciativa Liberal, e três votos contra da CDU e PPM. Apesar de um parecer jurídico associado ao processo defender uma avaliação prévia dos imóveis, Ana Abrunhosa salientou que o documento não tem caráter vinculativo e defendeu que a cedência sem pagamento de renda não prejudica financeiramente o município.
Vários partidos manifestaram reservas ou críticas à decisão. Rui Rodrigues, do Nós, Cidadãos!, considerou que o processo não assegurou suficientemente a segurança jurídica e financeira da operação. Graça Simões, do movimento Cidadãos por Coimbra e eleita pelo Livre, expressou reservas sobre os custos e o investimento público associado. Fernando Teixeira, da CDU, criticou a cedência gratuita de imóveis municipais a uma instituição privada e alertou para eventuais efeitos na pressão imobiliária na Baixa.
O ISMT enfrenta uma situação financeira difícil, com uma quebra superior a 30% nas novas matrículas no ano letivo de 2025/2026 e um resultado líquido negativo de 70 mil euros em 2025. A Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior decidiu anteriormente não acreditar o instituto e determinou o seu encerramento, decisão que está a ser contestada judicialmente pela instituição.




