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LUSOFONIAS A ‘Magnifica Humanitas’ e a civilização do Amor – V

Agência ECCLESIA11 de setembro de 2026 às 09:52

O artigo de opinião de Tony Neves, escrito a partir de Roma, aborda o papel da Inteligência Artificial na guerra, alertando que esta torna mais rápida e impessoal a decisão sobre a vida e a morte, apresentando o recurso à força como uma opção imediata. O autor引用a documentos papais para sublinhar que a revolução digital está a modificar a gramática dos conflitos e que a fronteira entre proteção e agressão se está a dissipar.

Paulo VI introduziu a expressão "civilização do amor" durante a Guerra Fria, num contexto de corrida ao armamento e desequilíbrios económicos. Papa Francisco aprofundou este conceito na encíclica Fratelli Tutti, defendendo que só o amor social, capaz de se tornar cultura e norma, pode gerar uma ordem internacional estável. Atualmente, a guerra está a normalizar-se, sendo usada como instrumento de política internacional, preparada através de narrativas simplistas, lógicas de amigo-inimigo, desinformação e medo.

O Papa Leão XIV afirma a necessidade de superar a teoria da "guerra justa", substituindo-a pelo diálogo, diplomacia e perdão. No entanto, reconhece que os enormes interesses económicos por trás da guerra complicam esta transição, especialmente quando a indústria bélica é setor-chave em algumas economias. Surgiram novos protagonistas armados, como grupos jihadistas, milícias privadas e redes criminosas, cujo objetivo já não é a vitória definitiva, mas a perpetuação do conflito como fonte de poder e rendimento.

Na construção da civilização do amor, o Papa Leão XIV propõe cinco pistas de responsabilidades: desarmar as palavras, construir a paz na justiça, assumir o olhar das vítimas, cultivar um saudável realismo e revitalizar o diálogo e o multilateralismo. Papa Francisco tinha alertado que usar o nome de Deus para legitimar a violência significa, na realidade, ferir a própria religião. O artigo conclui remetendo para o exemplo de Maria e o Magnificat, apelando à partilha e à esperança.

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