A Paróquia de São Francisco Xavier da Caparica, no Pragal, Almada, está a desenvolver o projeto "Super Horta, Aquaponia num contentor", que combina a criação de peixes com o cultivo de plantas sem solo num ciclo fechado de produção alimentar. O sistema, instalado num contentor com estufa e painéis fotovoltaicos, produz mais de 300 alfaces por mês, alimentos biológicos completamente isentos de fertilizantes ou químicos.
O projeto é liderado pelo padre Luís Ferreira do Amaral, jesuíta, que explicou ter sido motivado pela sua experiência nos campos de refugiados no norte do Quénia, onde testemunhou a operação logística de apoio alimentar que chegava do porto de Mombaça, com elevado consumo de gasóleo e mobilização de veículos pesados. A ideia surgiu através de um amigo de Aveiro que lhe apresentou esta modalidade sustentável.
O mecanismo funciona através de um ciclo em que a água permite o crescimento dos peixes, que fornecem nutrientes às plantas, e as alfaces consomem esses nutrientes limpando a água que regressa ao tanque dos peixes. O sistema elimina o desperdício verificado na agricultura tradicional e opera com perdas mínimas associadas apenas à evaporação, exigindo apenas uma vigilância básica no local para a recolha dos vegetais.
O projeto experimental decorre nos terrenos da igreja, situada numa zona de periferia urbana de Almada marcada pela fragilidade social. A iniciativa visa aperfeiçoar a tecnologia para futura instalação em campos de refugiados das Nações Unidas ou em estruturas do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS). Conta com financiamento da Fundação EDP e da Fundação Auchan, em colaboração com a empresa Agro Simbiose Agrícola, tem duração prevista de dois anos e uma reportage sobre a horta vai ser transmitida no programa "70x7" na RTP2.




