Ordem dos Médicos quer travar falta de médicos em 11 áreas. Alentejo incluídoFoto de ASSY no Pexels
PolíticaÉvora

Ordem dos Médicos quer travar falta de médicos em 11 áreas. Alentejo incluído

Rádio Campanário11 de setembro de 2026 às 08:47

A Ordem dos Médicos apresentou hoje, na Guarda, um estudo coordenado pelo bastonário Carlos Cortes que identifica 11 áreas de difícil fixação de médicos em Portugal: Açores, Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Faro, Guarda, Madeira, Portalegre, Vila Real e Viseu. A organização alerta que Portugal tem respondido às dificuldades de fixação de médicos em territórios de baixa densidade populacional com "medidas avulsas, temporárias e reativas", pretendendo agora contrariar essa abordagem.

O documento propõe protocolos entre o Ministério da Saúde e os municípios para criar condições materiais mínimas de instalação, incluindo habitação a custos controlados, reabilitação de imóveis municipais, benefícios fiscais locais e acesso a equipamentos culturais e desportivos. O estudo defende também parcerias com o tecido empresarial local para apoiar a integração profissional do cônjuge dos médicos, frequentemente determinante na decisão de fixação.

Entre as medidas apresentadas, destacam-se a criação de vagas reservadas para médicos do interior em programas de formação pós-graduada, o reconhecimento das vagas de internato em territórios de baixa densidade como posições territoriais prioritárias com valorização curricular e remuneratória, e a criação de indicadores de avaliação diferenciados para unidades de saúde que servem populações envelhecidas, dispersas ou vulneráveis. O documento propõe ainda que os conselhos de administração das Unidades Locais de Saúde dessas regiões tenham autonomia real de gestão para contratar profissionais de forma célere.

A Ordem dos Médicos propõe igualmente incentivos financeiros como majorações salariais progressivas, bónus de fidelização, prémios de instalação e benefícios em IRS e IMI, bem como valorização profissional através da majoração do tempo de serviço para progressão na carreira e acesso facilitado à formação. O relatório constitui um desafio aos decisores políticos, instituições de saúde, autarquias, universidades e à sociedade, salientando que a geografia não pode determinar o acesso a cuidados de saúde.

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