Um homem de 69 anos morreu durante as vindimas no conselho de Felgueiras na passada quarta-feira, volvendo a alertar as autoridades de saúde pública para os perigos da vespa asiática em Portugal. Este episódio surge após outros casos mortais registados nos últimos anos, num total de pelo menos cinco óbidos documentados entre 2021 e 2025, incluindo um funcionário do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) em serviço em Mondim de Basto.
Embora a comunidade médica refute a ideia de que o veneno da vespa asiática seja mais tóxico do que o de outras espécies nativas, como a vespa vulgar, a vespa do papel ou as abelhas, a diferença crítica reside no comportamento defensivo do insecto. Ao contrário das abelhas, que perdem o ferrão e morrem após a picada, a vespa asiática consegue ferroar repetidamente a mesma pessoa, expondo-a a uma carga de veneno exponencialmente maior.
Os especialistas em imunoalergologia alertam que as consequências das picadas variam conforme a sensibilidade do indivíduo. Nos casos mais comuns, a picada provoca dor aguda, rubor e tumefacção local. Em pessoas com hipersensibilidade, podem ocorrer reacções locais extensas com inchaço generalizado. O perigo extremo surge com as reacções anafilácticas sistémicas, que podem manifestar-se mesmo na primeira picada, provocando dificuldades respiratórias, edema da glote, queda da tensão arterial e paragem cardiorrespiratória.
Perante o risco de anafilaxia, os protocolos médicos incluem planos de imunoterapia com vacinas antialérgicas e a prescrição de canetas auto-injectáveis de adrenalina para intervenção imediata. As autoridades recomendam que a população não tente remover ou destruir ninhos de vespa asiática, devendo sinalizar a sua presença aos serviços municipais de protecção civil ou através das plataformas oficiais de registo de avistamentos.




