O reacender das hostilidades no Golfo Pérsico e o alastramento ao Mar Vermelho, com o recrudescer da guerra no Iémen, fizeram disparar novamente o preço da energia. O barril de petróleo voltou a tocar os 100 dólares esta semana, agravando uma situação já delicada para as empresas europeias e, por arrasto, nacionais. As empresas estavam já pressionadas pelo aumento dos custos energéticos do primeiro trimestre e as associações ouvidas pelo Jornal Económico falam em aumentos em cima de aumentos na estrutura de custos, o que agrava ainda mais as dificuldades.
O Governo anunciou uma série de medidas para combater os efeitos desta escalada, com destaque para o ISP, que vê um maior desconto fiscal. Segundo o ministro da Presidência, são mais 3 cêntimos, o que limita a subida. A oposição, nomeadamente do PS, continua a acusar o Executivo de lucrar com a subida, acusação rejeitada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que a classificou como injusta. O apoio de 10 cêntimos no gasóleo agrícola foi prolongado até final do ano, bem como a medida da botija solidária.
As associações empresariais ouvidos pelo JE defendem que são precisas mais medidas fiscais que desonerem o tecido empresarial, apoios à tesouraria e uma aposta mais clara na transição energética. Luís Miguel Ribeiro, da Associação Empresarial de Portugal, fala em medidas dirigidas aos setores mais expostos. Do lado dos agricultores, Luís Mira, da CAP, coloca o montante necessário entre 170 e 200 milhões de euros. Paulo Almeida, da Apicer, sugere a recuperação do modelo do antigo Apoiar Gás, que destinou 190 milhões a apoiar os segmentos mais dependentes do gás natural aquando da escalada após a invasão russa da Ucrânia.




