O artigo alerta para a degradação social causada pela proliferação dos jogos de azar em Portugal, designando-os como "o imposto dos pobres". O texto identifica a raspadilha como um dos maiores flagelos que afeta a franja mais sensível e frágil da sociedade portuguesa, nomeadamente os pobres que sonham deixar de o ser.
De acordo com o artigo, Portugal lidera os gastos per capita na Europa nesta modalidade de jogo, transformando o que deveria ser entretenimento num sério desafio de saúde pública. O país permite jogo em praticamente todos os estabelecimentos comerciais, e embora seja teoricamente proibida a venda a menores de 18 anos, o autor considera que esta proibição não é efetivamente cumprida.
O autor critica ainda a justiça portuguesa, argumentando que esta é célere a perseguir quem trabalha legalmente, mas fecha os olhos a quem enriquece à custa do vício e do desespero alheio. Defende que, se os jogos devem existir, devem funcionar com regras rigorosas, em casas especializadas, fiscalizadas e controladas.
O artigo conclui que a promoção desenfreada dos jogos de sorte e azar retira o incentivo ao trabalho sério, honesto e justamente remunerado, considerando que sem valorizar esta via legítima de prosperidade, o país não conseguirá superar os efeitos da miséria.




